Terça-feira, 8 de Novembro de 2005

Está aberta a polémica.

«Qual é a sua posição sobre as praxes?
É de uma enorme revolta. Tenho um enorme apreço pelo ensino superior, as universidades e politécnicos são centrais para o desenvolvimento de uma sociedade moderna, mas acho que não são só escolas de instrução, mas também de educação, onde muitos jovens aprendem a viver e a participar na vida democrática. Não devem ser escolas de submissão e de iniciação a práticas fascistas.
É contra as praxes?
Sou absolutamente contra aquilo que se designa, com algum humor sádico e machista, por praxes académicas, como se nos devêssemos rir disso. São uma escola de falta de democracia e fascismo e devia haver uma atitude de menos complacência por parte de todos, nas universidades e fora delas.»,
Público (edição impressa)
Entrevista ao Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior - Mariano Gago.


escrito pelo Homem Fantasma às 00:29
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9 comentários:
De Anónimo a 19 de Novembro de 2005 às 18:23
Errata ao comentário anterior: onde se lê PEDRO, deve ler-se JORGE (como é evidente!). [Desculpa lá, mas adiantado da hora tem destas coisas...]cristina
</a>
(mailto:cristina14silva@hotmail.com)


De Anónimo a 19 de Novembro de 2005 às 06:55
Primeiro o PEDRO: eu também "sou nova, não vivi esta altura, o que sei é por cultura geral", mas a minha cultura geral acha que podes bem "ter imaginado isto tudo... ". A minha ideia do traje académico remonta a bem antes do Estado Novo e teria como princípio uma certa uniformização tendo em vista a igualdade entre todos os estudantes que, assim, não seriam distinguidos pela sua condição social ou económica. Agora pode não ser bem assim - até porque o traje não sai barato! - mas fica o simbolismo da tal igualdade e o orgulho de ser estudante - esse, sim, tantas vezes associado a lutas de outros tempos. // Agora o CLÁUDIO: apesar do teu silêncio [ou talvez, por causa dele!] adivinhava-se a tua opinião extremista!=) A praxe não assenta na humilhação; ela pode é ser (mal) conduzida de forma a humilhar - mas isso não é a sua génese! Como é que reconheces uma opinião extremista e não reconheces uma posição radical?... Digo que as vossas posições são radicais porque logo à partida deitam fora um grande lençol só porque está manchado, sem sequer tentarem perceber de que é a nódoa e descrentes em que ela possa sair com um bom detergente! // ESCLARECIMENTO PESSOAL: Quem me ouvir falar deve ficar a pensar que eu sou uma ferverosa adepta da praxe - isso não é bem assim! O que se passa é que o meu meio-termo (que me deixa ver coisas boas e coisas más) quando comparado com a vossa recusa total parece ser quase uma aceitação total. Isto de fazer de advogada do Diabo tem que se lhe diga!...cristina
</a>
(mailto:cristina14silva@hotmail.com)


De Anónimo a 18 de Novembro de 2005 às 03:04
São 03:00 da manhã. Estou cheio de sono por isso perdoem-me se o q escrever não tiver sentido mas a Cristina disse "digam-me o que era dantes" como se dantes fosse algo melhor é isso?! Ora bem o traje foi instituido no regime do Estado Novo sendo mesmo obrigatório o uso. Os estudantes na altura do fim do regime foram uma grande força de oposição ao estado e o traje tornou-se simbolo da luta estudantil, que no fundo era a luta de todo um povo, contra o regime. Quando finalmente a ditadura acabou eles disseram, yuppie finalmente vamos poder ver-nos livres destes simbolos todos. E pronto, acabaram com o traje... andaram eles a lutar pelo fim deste tipo de coisas, para com o passar do tempo aparecer nos anos 80 (e aqui não sei se é antes ou depois, peço desculpa mas é tarde para confirmar) um tipo da jsd que disse: e se recuperássemos o traje?! E o pessoal disse: boa é isso mesmo! Mas quem sou eu, sou novo, não vivi esta altura, o que sei é por cultura geral, até posso ter imaginado isto tudo...Jorge
(http://apelodanoite.blogs.sapo.pt)
(mailto:)


De Anónimo a 17 de Novembro de 2005 às 09:30
A mais pequenina nódoa mancha o mais belo lençol branco. É assim a praxe. Pena que sejam várias as nódoas num lençol que nunca foi o mais branco. A praxe é castradora, humilhadora e redutora. Assenta na humilhação e no silêncio. Não tolera o contraditório e é dada aos alunos do primeiro ano como um presente... envenenado. Onde é que isto é uma posição radical? Não personalizes a discussão, Cristina. A minha opinião é bastante extremista, possivelmente, e por isso tenho optado ficar aparte a ler a vossa discussão. Ainda assim, agora, não consegui ficar calado. Prossiga a discussão... Tenho gosto em ler-vos. Os meus cumprimentos para todos... adeptos ou não da praxe.Cláudio Alves
</a>
(mailto:homemfantasma@gmail.com)


De Anónimo a 17 de Novembro de 2005 às 09:05
Eu não sei se vos diga que temos visões diferentes da mesma coisa ou se estamos mesmo a ver coisas diferentes... "Maçã com bicho"?... Pode ser, mas parece que vocês só vêm [ou só querem ver] o bicho e também lá há maçã comestível! Admito que a tradição da praxe celebra uma série de falsas figuras e que possa parecer apelar à esupidez, mas nem tudo tem de ser (só) o que parece. Chamem-lhe arcaica e mesquinha ou mesmo parva e patética [posso não concordar, mas aceito!], mas fascista não! - eu nunca me tive de sujeitar a nada que não quisesse e nunca obriguei ninguém a fazê-lo! Acho que posso dizer que, apesar de não ser "lição de vida" [nem dever ter tal pretensão], a praxe "é divertida" [ou, pelo menos pode e deve sê-lo!]. Quanto aos "desfiles pelas ruas a fazer figuras de parvos, cortejos pela cidade, queimas das fitas", devo dizer que meu cortejo de caloira e Queima de finalista são dois momentos marcantes que hei-de sempre "lembrar com saudade"!... Estou, mais uma vez, a basear-me na experiência que tive, pois é a única que conheço e se dizem que agora a praxe é "tradição sem ser o que era dantes", digam-me primeiro o que é que era dantes... Conclusão: se a alternativa de pensamento for apenas a vossa posição radical, acho que posso dizer que "acho graça à praxe"!cristina
</a>
(mailto:cristina14silva@hotmail.com)


De Anónimo a 15 de Novembro de 2005 às 20:52
Creio que o que a Vitória quis atacar, e bem, foi a tradição da praxe. Todo o ritual de caloiros-falsos doutores, trajes, desfiles pelas ruas a fazer figuras de parvos, cortejos pela cidade, queimas das fitas, toda uma celebração que só celebra a imbecilidade estudantil. Por mim os alunos que precisam de ser integrados que sejam, mas não nestes rituais fascistas que já há muito deviam ter acabado. Citando um tipo muitas vezes mencionado neste blog: "Maçã com bixo acho eu da praxe."Jorge
(http://apelodanoite.blogs.sapo.pt)
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De Anónimo a 10 de Novembro de 2005 às 17:57
É claro que precisamos de ser integrados!!! E, de um modo geral, mesmo quem é anti-praxe defende a existência de actividades de recepção. Só posso falar do que conheci, e, apesar de reconhecer, mais uma vez, que há exageros, guardo boas recordações da praxe! (Teoricamente!) só está na praxe quem quer, e mesmo quem lá está não tem de se sujeitar a tudo. O problema dos exageros é mesmo esse: havendo quem se sujeite há sempre quem abuse. Mas esse problema não é só da praxe nem se confina à tradição académica!...cristina
</a>
(mailto:cristina14silva@hotmail.com)


De Anónimo a 9 de Novembro de 2005 às 12:54
não poderia estar mais de acordo com o Mariano Gago. bem-hajam pessoas que expressar as suas opiniões de forma tão clara e convicta. obrigada a ti, cláudio, por este "post". não há praxes e praxes. há uma só praxe. a praxe fascista e machista nos princípios e fundamentos. a praxe patétita do princípio ao fim, que integra(precisamos de ser integrados?) de forma imbecil. mas, infelizmente, o problema não é só a praxe, mas toda a tradição académica que alimenta uma sociedade arcaica e mesquinha... da foto do menino trajado com pais e avós, no móvel de entrada da casa.Vitória
(http://www.emchavenafria.blogspot.com)
(mailto:)


De Anónimo a 8 de Novembro de 2005 às 09:22
Ainda bem que o homem diz que tem apreço pelo ensino superior - mal estaríamos se um ministro não reconhecesse apreço pela sua pasta! Quanto às praxes... há praxes e praxes. Ser contra as praxes por princípio, colocando-as a par de práticas fascistas acho demasiado forte. Há, sem dúvida, indesculpáveis exageros, mas o espírito de integração [já que agora tanto se fala disso!] quando não é esquecido, pode ser muito bem conseguido através das praxes académicas.cristina
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(mailto:cristina14silva@hotmail.com)


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