Segunda-feira, 7 de Novembro de 2005

Um Presidente de Abril.

«Um homem inquieto. Tenho muita dificuldade em separar o Homem do Poeta. Ambos se interpenetram e se ajudam ou entreajudam. Ter um Presidente da República com um perfil destes, é um luxo, diferente da desesperança de outros que transformam a vida numa máquina de calcular, que subtrai em vez de somar, que divide em vez de multiplicar, em que tudo se resume à aridez de um número, de uma percentagem, de uma estatística gelada...
(...)
Nenhum presidente poderá resolver o problema económico do País. Não haja ilusões quanto a isso. Não é esta a sua função, nem a sua competência constitucional. Agora, representar a Nação, como a Bandeira, isso, sim, já lhe pertence. E quer concordemos, quer discordemos, só um a representaria na sua globalidade e profundeza cultural e histórica - Manuel Alegre. O Poeta do País de Abril!»
,
Escrito por Cristóvão de Aguiar, podem ler o texto integral aqui.


escrito pelo Homem Fantasma às 13:16
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7 comentários:
De Anónimo a 13 de Novembro de 2005 às 23:20
Pois, independentemente do Poeta, de quem gosto nessa vertente, eu votarei Garcia Pereira. Pelas ideias. Pela coerência. Por nunca ter virado a cara.

www.garcia-pereira-a-presidente.blogspot.comAlexandre Silva
</a>
(mailto:alexandresilva1974@hotmail.com)


De Anónimo a 8 de Novembro de 2005 às 15:14
Ernesto. :) Com todo o gosto tenho trocado estas palavras contigo. Aliás, se me permites, peço que me envies um e-mail para podermos trocar os nossos contactos. ... Estudo Engenharia. A minha família tem duas pessoas estritamente ligadas ao estudo e ao desenvolvimento económico. E convivo há 4 anos com uma estudante de Economia. Conheço perfeitamente as vertentes sociológicas abordadas no estudo da economia. Até conheço qual a tendência que os diferentes professores dão à cadeira de sociologia. ... Tenho a opinião que a convivência apenas com números, sem a vertente humanista e social, faz desaparecer a noção de uma pessoa por trás de um número. ... Tenho ainda a crença que Manuel Alegre já era candidato antes de Soares ter surgido e que Alegre não é candidato para lutar contra o partido socialista mas porque tem essa vontade e capacidade. ... Quanto a Cavaco, não o suporto. Não suporto os seus argumentos sobre estradas, o seu bolo-rei, a sua arrogância, o seu silêncio, a sua voz e ainda menos o seu riso. Chama-me de burguês de esquerda, cá estarei para "retaliar". Meu caro, foi um prazer, um grande abraço.Cláudio Alves
</a>
(mailto:homemfantasma@gmail.com)


De Anónimo a 8 de Novembro de 2005 às 14:49
A aglomeração de números em agregados matemáticos, como acontece com os indicadores económicos, não parte da noção de "mau"; os indicadores existem porque é impossível fazer cálculos para cada indivíduo, e, assumindo essa impossibilidade, estima-se a população na sua globalidade. Existe uma pessoa por trás do número, sim. Mas poder-me-ias dizer onde viste cavaco dizer o contrário?Achas que pelo simples tratamento estatístico ele (ou outro que esteja exposto a esse trabalho diariamente) perdeu noção do real? penso que não... por conhecimento de causa, como deves compreender, sei que em alguns cursos de economia se tratam assuntos sociológicos e se abordam diferentes perspectivas da realidade...
Já agora... que conhecimento de causa é o teu?:-)

Quanto às presidenciais: Louça, gerónimo e Soares não entram na minha equação. Louça só quer ganhar a gerónimo, gerónimo só se candidata para defender o passado do seu partido, e soares só se candidata porque é preciso ganhar à direita...

Alegre candidata-se porque lhe agrada ser velho do restelo; ele tem prazer em lutar contra a maré; mas desta vez, a maré não é o fascismo, é o próprio partido socialista, que se recusou a apoiá-lo. Ele fala bem, escreve bem, tem bons valores,o que é essencial para um presidente da república mas, penso eu, candidata-se pela razão errada.

Cavaco é um brilhante economista. Sabe que ser presidente é diferente de ser primeiro ministro.
candidata-se pela simples razão de que sabe que irá ganhar.

O meu voto depende dos próximos desenvolvimentos. Mas, para já, inclino-me para o voto em branco. Porque não me identifico nas lutas pessoais dos candidatos;

po~rém, aviso-te já: argumentos como " Ter um Presidente da República com um perfil destes, é um luxo, diferente da desesperança de outros que transformam a vida numa máquina de calcular, que subtrai em vez de somar, que divide em vez de multiplicar, em que tudo se resume à aridez de um número, de uma percentagem, de uma estatística gelada», inclinam o meu voto para cavaco...
é que,infelizmente, não tenho ainda a maturidade suficiente para não reagir a certos estímulos com contra-reacções estúpidas :-)

Cumprimentos.

P.S.(não o partido, mas um simples post scriptum) é sempre bom ter um fórum como este; farto-me muitas vezes dos comentários estéreis que povoam os blogs. respeito a tua posição, mas não concordo. felizmente penso que ambos temos a abertura suficiente para discutir sobre o assunto. Óptimo.



ernesto
(http://cantinadolho.blogspot.com)
(mailto:psorocha@gmail.com)


De Anónimo a 8 de Novembro de 2005 às 13:20
Viva, de novo. :) A ver se não me esqueço de nada:
- Católico - ah!, sim, compreendo o nonsense, no entanto, apanhou-me desprevenido; por trás de um número, de uma estatística, de uma previsão económica estão pessoas... por vezes, os vícios da profissão deixam que os números deixem de transparecer. É real, Ernesto. Na avaliação e ao tratar estudos económicos, análises estatísticas muitos são os que se esquecem que por trás do número 1 está uma pessoa diferente de outra que representa exactamente o mesmo número. Pessoas diferentes, com necessidades diferentes... são por vezes representadas por um número igual. Terei sido claro?; Não é errado conhecer o sistema que rege o país, poderá até ser uma mais valia. Não é errado ser-se competente com os números. É errado misturar-se e concentrar toda a atenção em números... Na minha opinião, claro.; Ernesto, claro que em Economia (e em alguns cursos de Engenharia) se estuda Sociologia. Até te posso dizer que em Economia são muito mais abertos à sociologia do que em Engenharia. Falo com conhecimento de causa, como deves compreender.
Será que consegui ser claro e transmitir o meu ponto de vista? Mas, elucida-me, Ernesto, permite-me a questão, apesar de responderes só se te sentires à vontade para tal: estás mais inclinado para votar em quem nas presidenciais? Os meus melhores cumprimentos. :)Cláudio Alves
</a>
(mailto:homemfantasma@gmail.com)


De Anónimo a 8 de Novembro de 2005 às 12:49
por pontos: efectivamente ser católico não é profissão; mas, como gostas, aparentemente, de poesia, pensei que apreciarias esse nonsense.

A frieza dos números: hás de me explicar, por favor, em que consiste esse conceito. Aliás, acho-o mais poético e demagogo do que propriamente real.

Explica-me também porque é errado para um presidente da república, perceber o sistema que rege o país.

Já agora, acaso achas que os "economistas", ou "engenheiros" (perdoa-me as aspas, mas não queria lidar com essas palavras sem protecção) não podem ser poéticos e utópicos? acaso sabes se, na faculdade de economia, não se estuda marx, hegel ou tantos outros filósofos relevantes de toda a espécie de ideologia?

Quanto ao templo dos números... existem grandes escritores e poetas que veneram os números... procura um pouco mais sobre Jorge luís Borges... talvez o conheças...

abraço
ernesto
(http://cantinadolho.blogspot.com)
(mailto:psorocha@gmail.com)


De Anónimo a 8 de Novembro de 2005 às 00:17
Ernesto, por acaso leste algures que ser poeta era ser mais que economista? (Católico é profissão?!... julgava ser uma crença religiosa?) Cristóvão refere, e bem, que a vida não deve ser transformada numa "máquina de calcular". Cavaco tem a frieza dos números e transforma a democracia em previsões económicas. Como se ensina no templo dos números - não confundir com crença religiosa nos mesmos - na faculdade de engenharia carregadinha de tudo menos de burgueses de esquerda: a economia é a grande ciência de previsão do passado. Antes ser utópico e ver o cargo de presidente como um lugar simbólico e... sim.. poético. Cláudio Alves
</a>
(mailto:homemfantasma@gmail.com)


De Anónimo a 7 de Novembro de 2005 às 19:45
Discordo. Ser poeta vale o mesmo que ser economista, pedreiro ou católico. Acho que a discussão sobre a "maneira de ver o mundo" do candidato Alegre é estéril e enganadora; tratar números é, por acaso, mais ou menos "bonito" do que tratar letras?

O facto de me identificar mais com as letras não significa que os números não tenham validade.
Parece-me demagogia para burgueses de esquerda.

é óbvio que o presidente não vai resolver o problema económico do país! mas cavaco sabe disso! aliás, disse-io no público de sábado!

Sou um fã do alegre, mas acho uma discussão pouco democrática, isso de opinar sobre bifes e costoletas...Cavaco é mais do povo do que alegre: antes de ter estudado marx, estudou na escola industrial, formando-se em contabilidade, como o zé povinho.isso também é válido.

ernesto
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(mailto:psorocha@gmail.com)


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