Domingo, 27 de Março de 2005

Consumo mínimo obrigatório.


tertuliacastelense.JPG



Hoje, como havia referido, dirigi-me ao Tertúlia Castelense para assistir ao espectáculo dos Boite Zuleika. Pois bem, esperava (e semelhantemente ao que aconteceu com os Quinteto Tati) pagar o bilhete do espectáculo (usufruir deste serviço custaria-me €4 pelo concerto) e pagar o meu café.
Pois bem, entregaram-me o já famoso cartão de consumo com a típica nota de "Consumo Mínimo Obrigatório de €5"... nunca fui muito à bola com o "consumo mínimo obrigatório". É sabido que recuso-me a frequentar locais que me impõe um consumo mínimo. Aceito mais facilmente o consumo obrigatório visto que até poderia ser obrigado a consumir e até poderia consumir mais do que o tecto financeiro estipulado pela casa, no entanto, devo ser eu a decidir a quantidade que devo consumir e não o dono do local. Bom, mas nem disse nada, já que havia sido informado quando assisti ao concerto dos Quinteto Tati que "para os que assistirem ao espectáculo não existe consumo mínimo obrigatório pois já pagam o ingresso". Esperava, pois, que hoje acontecesse o mesmo.
Qual foi o meu espanto quando ao pagar o concerto (que acontece numa cave do Tertúlia e onde carimbam com um símbolo informativo o cartão das pessoas que assistiram ao concerto) me pedem €9... Solicitei um esclarecimento que veio prontamente num tom antipático que deveria ter consumido o mínimo obrigatório de €5 (apesar de apenas ter estado na cave a assistir às músicas com que os Boite Zuleika me brindaram) e a quantia acrescida - justa - de €4 pelo espectáculo. Paguei... apesar de desconfiar que o Tertúlia Castelense cumpra o Art. 205.º do Decreto n.º 61/70.

Tenho sido um frequentador assíduo do Tertúlia, principalmente à semana onde não confundem cliente com o mínimo de €5 por cabeça, mas irei deixar de o frequentar.
Já não bastavam os templos da noite (discotecas) que são verdadeiras máquinas de enriquecimento?!
Para gastar €9 para assistir a um concerto numa cave prefiro bem comprar um CD ou dirigir-me ao Rivoli, Teatro Sá da Bandeira, Coliseu do Porto ou a qualquer outra Sala de Espectáculos (com várias vantagens, entre as quais a pequena vantagem de poder guardar um bilhete como recordação... ao invés do que se passa no Tertúlia onde nem dinheiro gastam para "oferecer" um pequeno comprovativo aos clientes).
Se eu quero SÓ ver um concerto... fará algum sentido ser-me imposto que pague o que não consumi? Tem lógica ser tratado como dois clientes distintos e pagar por ambos (o cliente que frequentou durante toda a noite o bar e o cliente que assistou a um concerto)? Que pague um serviço que não solicitei? Se existe uma distinção de espaço físico entre aqueles que estão no bar e aqueles que frequentaram o espectáculo, qual é a dúvida?! Pessoalmente, não aceito atitudes cegas que visam apenas o lucro. Tenho pena... mas não há bolsa que aguente: não frequentarei mais os espectáculos do Tertúlia Castelense.

Pretendia partilhar a minha opinião quanto aos Boite Zuleika mas este episódio incomodou-me e perdi toda a vontade em fazê-lo. Quando eles lançarem o álbum fica prometido que escreverei umas linhas (melhor estruturadas).


escrito pelo Homem Fantasma às 05:31
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2 comentários:
De Anónimo a 3 de Abril de 2005 às 05:12
Mantenho as vezes que forem necessárias: o bar "Tertúlia Castelense" é um dos espaços mais agradáveis que visitei, com excelente e simpática decoração. É de louvar que o "Tertúlia Castelense" convide e permita a exibição de música portuguesa. Não é criticável que a "empresa privada" Tertúlia Castelense se prive de lucrar: a lei do mercado e vossa visão de gestão a isso "obrigam". Não pretendia criticar o vosso desejo de enriquecimento... afinal de contas, é perfeitamente legítimo. No entanto, a afirmação que os "Os espectáculos não visam o lucro mas apenas tornar exequível a vinda dos artistas intervenientes." roça a ficção. Se assim fosse, eu pagaria apenas o espectáculo - esse é que é o dinheiro que torna "exequível a vinda dos artistas". Sejamos claros: NUNCA me incomodou pagar o preço de ingresso no espectáculo (do qual fui consumidor)... no entanto, incomodou-me pagar um consumo mínimo - apesar de não ter atingido, nem de perto, o tecto estabelecido por vossas excelências - e que me é imposto. Não me foi imposto esse consumo mínimo obrigatório nos Quinteto Tati e no caso dos Boitezuleika (e na ausência de informação em contrário, visto que o cartaz à entrada e os bilhetes de consumo eram precisamente os mesmos) julguei que a situação se manteria. Vejamos: as condições foram em tudo iguais. Esta é a narração do cliente do espectáculo que fui e o meu ponto de vista, que em nada vos desrespeita. Quanto à piadinha de mau gosto que refere a liberdade de expressão, prefiro não esboçar nenhum comentário - o bom senso, menos prepotência e arrogância da minha parte não me permite abusar de reparos (bac)ocos.
Não poderia deixar de comentar a vossa crítica ao uso indevido de logotipos, fotografias e afins... Pois bem!, reafirmo que acho (ainda) mais indevido o não cumprimento do Art. 205.º do Decreto n.º 61/70. Mas, podemos brincar a entendidos no direito português... se para tal estiverem dispostos?!

Agradeço a leitura do meu blog, as vossas citações que tanto me honraram e que em nada me contradizem e a resposta ao meu e-mail (apesar do atraso considerável). Os meus cumprimentos, Cláudio Alves.Cláudio Alves
(http://homemfantasma.blogs.sapo.pt)
(mailto:claudio.alves@fe.up.pt)


De Anónimo a 3 de Abril de 2005 às 03:36

Sem sermos demasiado exaustivos gostaríamos de esclarecer alguns pontos importantes.

A Tertúlia Castelense é uma empresa privada e não se pretende impor a ninguém, tem o seu conceito e missão bem definidas na sociedade.
Não nos cabe decidir a quantidade que deve consumir, apenas definir as nossas regras de funcionamento, mas também não lhe cabe a si decidir sobre o funcionamento desta empresa ou a forma de a gerir.

O consumo obrigatório de 5,00 euros encontra-se afixado à entrada e inscrito nos cartões de consumo, logo é válido para todos os clientes.
Os preços dos espectáculos variam e encontram-se também afixados. A entrada nos mesmos é sempre validada através de um carimbo, excepcionalmente e apenas quando justificável disponibilizamos bilhetes.

Na humilde "cave", por si referida, têm lugar os espectáculos da nossa programação, tentamos dotá-la das melhores condições. Os espectáculos não visam o lucro mas apenas tornar exequível a vinda dos artistas intervenientes. A Tertúlia Castelense mantém excelentes relações com os artistas, e é com muito prazer que os recebemos, e tentamos, dentro das nossas possibilidades, que se sintam bem aqui.

A Tertúlia Castelense não pretende ser um "templo da noite" mas sim uma opção de qualidade à mesma. Não pretende ser um espaço efémero mas sim afirmar-se como um espaço de referência para o futuro. Felizmente o feed back tem sido bastante positivo, mas como em tudo há excepções, neste caso uma.

Se é cliente habitual concerteza saberia tudo que até aqui lhe foi explicado.

Lamentamos a injustiça das suas críticas, não percebemos, mas deixamos aqui algumas pistas que talvez nos ajudem.

"A oportunidade para poder assistir a concertos intímos num ambiente tão familiar e informal é tão raro quanto as oportunidades para poder presenciar uma actuação dos Quinteto Tati. Por tudo isto e muito mais (que não consigo descrever por ser uma nulidade ao escrever críticas): valeu a pena os €7.5 investidos."
Publicado por claudio.vieira.alves em 13/03/05

"... e com Macacos Adrianos a dançar em cima dos balcões dos bares.
Em suma, é o que sinto sempre que estou a trabalhar no "Via Rápida"."
Publicado por claudio.vieira.alves em 17/03/05

"Chegado a casa há cerca de uma hora e descontando o tempo para tomar banho, lavar os dentes e beber água - acontecimentos indispensáveis após uma saída à discoteca - venho anunciar que hoje, por breves momentos, gostei de uma discoteca (e apenas por esta razão é que escrevo, de novo, sobre o Via Rápida).»
"A partir daí nada mais tenho a registar como francamente positivo. Foi uma noite banal de trabalho de barman no Via Rápida e mais uma daquelas noites que troco bem por uma noite de excelente conversa sentado no Pinguim."
Publicado por claudio.vieira.alves em 18/03/05

Aproveitamos para lhe lembrar que não autorizamos qualquer utilização dos nossos elementos gráficos, tais como, logótipo, imagens do nosso site, fotografias não autorizadas, etc. Queira por favor corrigir estas situações e publicar a nossa resposta integralmente no seu blog.

A liberdade de expressão é um direito fundamental, infelizmente nem todos a sabemos utilizar, revelando desrespeito pelos outros.

Tertúlia Castelense
(http://www.tertuliacastelense.com)
(mailto:info@tertuliacastelense.com)


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